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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A ocupação das telas de cinema

André Sturm


No dia 15 de novembro, estreou a última parte da saga Crepúsculo no país. O filme entrou em 1.213 salas ao mesmo tempo.

Afinal, tantas pessoas querem ver o filme? Essa quantidade de salas é algo realmente necessário?

O Brasil tem cerca de 2.200 salas. Ou seja, um único filme ocupa cerca de 60% dos cinemas do país!

Se considerarmos que o novo filme 007 está em outras 400, temos mais de 1.600 salas (75% do total) com apenas dois filmes em cartaz.

Quem quer ir ao cinema é quase empurrado para ver um desses títulos. Não é o caso de pedir a ação dos órgãos que deveriam garantir a concorrência, que deveriam evitar o monopólio, a concentração? Quando a Nestlé quis comprar a Garoto e ficar com 70% do mercado de chocolate, houve um enorme debate, que movimentou órgãos do governo.

Dois filmes podem ter 75% das salas? Nesse caso, ainda temos a questão da diversidade -afinal, mesmo sendo um negócio, o cinema envolve diversos aspectos culturais.

É assistindo a filmes que muitos dos hábitos e costumes são formados. Foi através do cinema que os Estados Unidos, a partir dos anos 1950, impuseram os seus hábitos ao mundo, por exemplo, e isso obviamente tem implicações econômicas. Com os filmes, veio o "american way". Todo mundo passou a usar jeans, comer hambúrguer e escutar rock.

Não se trata de xenofobia ou discurso antiamericano. Mas o capitalismo prevê mecanismos para evitar excessos. No mercado de cinema, não se vê isso.

Para exemplificar: em 2005, Harry Potter 4 fez 4,3 milhões de ingressos com 550 cópias. Em 2007, o quinto filme fez 4,2 milhões com 787 cópias. Em 2010, o sexto fez 4,3 milhões com 861 salas. Ou seja, não houve aumento de público e o número de telas aumentou 60%.

Não parece evidente que o aumento de ocupação de salas serve para diminuir a concorrência? Quanto mais cópias, maior o investimento em publicidade. E, portanto, maior o impacto na decisão do consumidor.

Fica cada dia mais difícil competir. O alto gasto de recursos em publicidade para impedir a concorrência é outra prática irregular. A digitalização tornará isso ainda mais cruel. Não haverá o custo de cópia para inibir a ampliação do número de telas. Poderemos ter, no limite, um filme lançado em todas as salas!

Urge que os órgãos tomem uma atitude. Eu gosto de pizza, eu gosto de hambúrguer. Mas também de comida francesa e tailandesa.

Eu quero poder ter a chance de chegar num cinema de oito salas e ter pelo menos oito filmes em cartaz para escolher. Isso não é do interesse apenas dos produtores nacionais que não conseguem exibir seus filmes. É do interesse do consumidor que não tem opções.

O país não pode permitir a exploração de seu mercado de maneira predatória, deixando corações e mentes de todos submetidos a um produto pasteurizado e global.


ANDRÉ STURM, 46, é cineasta e diretor-executivo do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS). Foi diretor do Cine Belas Artes

Publicado na Folha de S.Paulo, em 14/12/2012.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Embargo a lançamento faz da obra uma vítima da mesma hipocrisia que narra

Inácio Araujo


Em "Amor Estranho Amor", a ação se passa num bordel de luxo mantido por madame Laura (Íris Bruzzi), que, entre as suas protegidas, tem Vera Fischer (Ana) e Xuxa. Nesse bordel passará uns dias o menino Hugo, filho de Ana.

O orgulho da casa, no momento, é Tâmara (Xuxa), a jovem prometida ao político Benício, que logo chega ao local para resolver problemas nacionais e sexuais.

Xuxa é, hoje, a raiz da discórdia e o motivo do sumiço do filme, já que, nos anos 1990, conseguiu interditar sua saída em vídeo. Como se tratava de uma fita nacional, ninguém veio lutar pela liberdade de expressão.

No filme, ela era um chamariz tanto para Benício como para o público. Walter Khouri era mestre nesse expediente: usar uma atriz (ou modelo) em voga para atrair público. Em 1982, quando fez o filme, Xuxa era essa pessoa, por conta de uma ligação com Pelé.

Na época, diga-se, as atrizes apareciam nuas nos filmes, isso não era um problema. Os tempos mudaram. Hoje, se as moças do bordel seduzissem o jovem Hugo, como no filme, seriam processadas por pedofilia.

No lado feminino, o filme tinha, além de Fischer, Bruzzi e Xuxa, um grupo de atrizes menos famosas, mas não menos interessantes, como as ótimas Sandra Graffi e Vanessa. O elenco masculino não ficava atrás, com Walter Forster, Tarcísio Meira, Mauro Mendonça.

Esse belo grupo ocupa basicamente uma fantástica casa em São Paulo, onde se passa ação, em 1937, durante o golpe do Estado Novo.

É certo que não vem ao caso usar como alegação o valor estético do filme, na tentativa de romper o embargo que pesa sobre ele.

Claro que tem valor, mas não importa muito apelar a argumentos de autoridade (o diretor ilustre, o elenco etc.). Qualquer filme é um documento relevante do momento em que é feito.

VALOR HISTÓRICO

De todos, o mais relevante, hoje, é a aproximação entre um momento histórico (implantação do Estado Novo) e nossos usos e costumes sexuais. E hoje sabe-se bem a importância dos bordéis na história política pátria: é de valor histórico que se trata.

Em inúmeros casos, não apenas no cinema, a Justiça tem se tornado um obstáculo à circulação de bens culturais. No caso de "Amor, Estranho Amor", a interdição se deu por Xuxa considerar justo preservar sua imagem de "rainha dos baixinhos": talvez não fosse de bom tom vê-la num bordel.

Cuidado talvez excessivo, que não existia quando aceitou o papel de Tâmara, mesmo porque ele convinha a uma jovem atriz cujo principal atributo era ter posado nua em revista masculina, e quando trabalhar com Khouri significava, sim, prestígio.

Jogado para baixo do tapete, esse momento de sua vida artística (talvez o melhor) acaba vítima da mesma hipocrisia que divide nossa vida sexual e política entre o bordel e o lar, a rua e o santuário, o secreto (indecoroso) e o público (pomposo). Partição de que a arte procura, em geral, escapar.

* Publicado na Folha de S.Paulo, em 08/04/2011.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Financiadora da Cultura: nova ferramenta para um novo modelo de fomento à cultura

Glauber Piva


O ano começou muito agitado para os militantes de cultura no Brasil. A mudança de governo e no Ministério da Cultura, somadas à vontade de participar, fizeram muita gente arregaçar as mangas e alimentar polêmicas. Tensões exageradas à parte, o debate em si é positivo, mas poderá ser mais frutífero se houver real disposição de enfrentar problemas sobre os quais estamos recostados há muito tempo. A aprovação, pela CNIC – Comissão Nacional de Incentivo à Cultura –, de um projeto de blog da Maria Bethânia mobilizou muitas brasileiras e brasileiros nas redes sociais, na imprensa e nas ruas. Ao fundo, uma colcha de retalhos, com opiniões tão diversas quanto intensas.

Reduzido o volume, talvez seja o momento de compreender o que há de mais sério e profundo neste debate. Não vou, aqui, debater exatamente o caso “Maria Bethânia”, mas iniciar um debate sobre o modelo de financiamento à cultura no Brasil, hoje, preponderantemente dependente de incentivos fiscais.

Para entender. O sistema federal de financiamento da cultura no Brasil está assentado sobre três mecanismos com finalidades distintas: o mecanismo do apoio direto do Estado a fundo perdido praticado por meio do Fundo Nacional de Cultura – FNC –; o mecanismo da renúncia fiscal para que empresas ou pessoas naturais apliquem parte do seu Imposto de Renda devido em projetos culturais em troca de divulgação de suas marcas; e o mecanismo do fundo de financiamento (FUNCINES e FICARTS) e certificados de investimento (artigo 1º da Lei do Audiovisual), que permitem utilizar recursos advindos do benefício fiscal para investir em projetos culturais em troca de participação nos resultados e exposição de marca.

A criação desse sistema foi impulsionado pela defesa da necessidade de se criar no Brasil uma cultura de patrocínio privado, que derivou de um discurso ideológico em relação à capacidade do Estado de gerir os investimentos em cultura (resultado de dois movimentos: do neoliberalismo contra o Estado do início dos 90; e da memória aos abusos do Estado autoritário dos anos 70 e 80), atribuindo ao “mercado” a decisão sobre “onde” e “como” investir.

Na época, este discurso ganhou apoio, pois, de fato, com a implementação do incentivo fiscal, algumas empresas perceberam que parte do dinheiro destinado inicialmente ao pagamento de tributo serviria para contribuir nas suas estratégias de marketing, associando sua marca a projetos artísticos com apelo popular ou com valor humanístico e social.

Com o passar do tempo, alguns departamentos e agências de comunicação que detinham as contas de publicidade dessas grandes empresas deixaram de esperar projetos com os quais as suas marcas pudessem se identificar, encomendando-os aos artistas. Essa lógica redundou em eventos com o nome de marcas de cigarro, cervejas e congêneres. Nesta mesma perspectiva, foram criados institutos e fundações de empresas onde até o material de escritório, por meio de uma operação contábil, era comprado com dinheiro público. Por outro lado, as ações dessas instituições nem sempre ampliavam o acesso dos cidadãos brasileiros a esses bens e serviços financiados com dinheiro público.

Inversão mais aguda ainda estava por acontecer quando o próprio Estado percebeu uma forma de, também ele, se beneficiar desse recurso para realizar os seus projetos. Foi aí que nasceram as Organizações Sociais “chapas-brancas” e toda sorte de subterfúgios que transformaram os diversos níveis federativos em grandes captadores de recursos por meio da Lei Rouanet. Sem entrar no complexo debate sobre a legitimidade de organizações desse tipo, o fato é que a conjugação entre inadequação da burocracia, falta de recursos orçamentários para os órgãos de cultura e possibilidades criadas pelas leis de incentivo produziram o estranho efeito de um Estado que buscou uma maneira de se privatizar para acessar verbas públicas.

O projeto de mudança da Lei Rouanet encaminhado pelo Ministério da Cultura ao Congresso Nacional em 2010, denominado PROCULTURA, não promovia transformações radicais neste sistema de financiamento, mas tentava enfrentar algumas de suas contradições e dicotomias, dando outro perfil para o incentivo à cultura e buscando novos equilíbrios entre os diversos mecanismos.

A formulação desse projeto consumiu claudicantes seis anos, aproveitou o debate promovido por diversos seminários, fóruns e pela primeira Conferência Nacional de Cultura. Nada disso evitou, porém, que o projeto enviado ao Congresso padecesse de falhas técnicas, inseguranças conceituais e um excesso de subjetividades impróprias para uma lei, gerando insegurança em diversos setores culturais, que não se sentiram contemplados pelo projeto, e acusações de dirigismo, que terminaram por estigmatizá-lo.

Parte dos problemas verificados no PROCULTURA foi sanada pelo substitutivo apresentado pela Deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), mas, mesmo essa nova versão – que hoje ainda tramita em comissões da Câmara – não evita a desproporção entre os muitos recursos alocados para renúncia e a frágil constituição do Fundo Nacional de Cultura.

Neste bom momento de ânimos exaltados, é importante promover a correção dessas distorções e ponderar sobre a criação de mecanismos adequados para a estruturação de cadeias produtivas e arranjos produtivos locais ligados à cultura, sem, no entanto, levar à desestruturação das incipientes indústrias culturais que hoje dependem do acesso aos recursos disponibilizados pelo Estado por intermédio do incentivo fiscal para existir.

Novas tecnologias têm impactado na aceleração das mudanças dos modos de produção e o campo da cultura já desenvolve novos padrões de produção e circulação de valores que resultam em novos paradigmas, não só para a Cultura, mas para o conjunto da economia. O sistema de fomento precisa ser capaz de dialogar com essa nova realidade com mais agilidade, criando formas de apoio sem, contudo, diminuir a intensidade do incentivo às modalidades das indústrias culturais. Há ainda uma série de outras atividades de interesse público que não vêm sendo devidamente apoiadas por meio do nosso sistema público de financiamento, mas que são fundamentais para que se estruture no Brasil as cadeias produtivas da cultura e um ambiente de autonomia criativa e livre circulação de conhecimento fundamental para a consolidação da própria democracia.

A discussão sobre o modelo do financiamento à cultura no país não deve ser feita apenas considerando as alternativas legais ou institucionais que já temos. Não devemos apenas reformar a legislação para adequar os mecanismos e formular melhores critérios de incentivo, mas também ampliar a governança do Estado sobre os recursos elaborando distintas modalidades de fomento, conferindo maior agilidade e ampliando as possibilidades de operação.

Hoje, o Estado brasileiro já tem iniciativas de fomento que, em tese, deveriam ser suficientes para a estruturação dessa economia ou atendimento de demandas culturais dispersas. No entanto, persiste uma sensação de ineficiência dos mecanismos atuais. Essa sensação tem várias origens: algumas, relacionadas ao aparato burocrático pesado e, outras, às poucas modalidades de fomento. Derivam também do fato de que as ações de fomento à cultura estão dispersas em diversas estruturas da Administração Pública Federal, o que não favorece a racionalidade e a economicidade dos processos, além de facilitar os constantes embates acerca dos parâmetros para avaliação, acompanhamento e fiscalização.

O projeto de lei PROCULTURA, como aprovado na comissão de Educação e Cultura no ano passado, proporciona alguns avanços importantes, como a regulamentação do repasse entre os entes federados. Mas é importante perceber, também, que não há mecanismos alternativos de fomento à renúncia fiscal e ao fundo perdido – com exceção do audiovisual, que conta com os FUNCINES e o Fundo Setorial. Com isso, uma série de atividades fica alijada do apoio estatal.

Objetivamente: precisamos desenvolver uma diversidade de mecanismos de apoio e fomento direto que correspondam melhor à diversidade de estratégias elaboradas pelo setor cultural. Não podemos contar com soluções mágicas, mas considerar que a complexidade dos desafios exige soluções sistêmicas.

Tal diversidade de mecanismos não deve implicar em dispersão da governança, muito pelo contrário. É necessário criar um agente financeiro subordinado ao Ministério da Cultura que permita adotar procedimentos e metodologias específicas mais aderentes aos processos produtivos e distributivos típicos da Cultura e que, ao mesmo tempo, concentre e racionalize a gestão dos mecanismos de fomento, deixando ao Ministério e suas diversas áreas finalísticas o papel estratégico de elaborar as diretrizes de política pública.

Para a Ciência e Tecnologia, por exemplo, o governo brasileiro concebeu a FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos - um agente financeiro com múltiplas possibilidades de financiamento. A cultura precisa de algo semelhante, ou seja, uma empresa pública instituída pelo Governo Federal com finalidade de promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à Cultura.

Uma empresa com esse formato poderia operar uma gama diversificada de mecanismos, combinando investimento reembolsável e não reembolsável; financiamento com encargos reduzidos ou com juro real zero; microcrédito; fundos de aval; equalização de juros; poderia se especializar nas técnicas de conveniamento e ferramentas de informação de modo a qualificar a gestão estatal; e também promover Programas Especiais de Fomento (como já é feito hoje na ANCINE) combinando recursos federais com os oriundos de Estados e municípios para formar editais que combinassem abrangência regional e incentivo a elos específicos das cadeias produtivas.

A criação de um agente financeiro no âmbito da cultura, permitiria que o Ministério da Cultura fosse mais ágil e plural na indução da estruturação dos diversos modos de produção e difusão da cultura no Brasil, em virtude da multiplicidade de possibilidades que se abririam, e veríamos o Estado brasileiro se constituir efetivamente como um parceiro da cultura, reduzindo processos burocráticos. O Fundo Nacional de Cultura ganha um braço operador e muda de sentido, ganhando possibilidades mais interessantes e diversificadas de operação.

Diversos estudos demonstram que a economia da cultura ganha cada dia mais relevância na composição da riqueza das nações, novas possibilidades tecnológicas são criadas e demandam novos ordenamentos jurídicos e novos arranjos institucionais. Isso tudo nos obriga a ser propositivos e buscar para o nosso setor todas as ferramentas necessárias ao seu melhor desenvolvimento.


Glauber Piva, diretor da ANCINE
* Publicado no blog: www.glauberpiva.blogspot.com

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vão-se os cinemas de rua, vai-se uma época

Gemini, janeiro de 2010.

A poucos dias da visita de Obama ao Rio de Janeiro, em compasso de espera pelo discurso a ser feito na Cinelândia, a cidade de São Paulo vê mais um de seus cinemas de rua, o Belas Artes, enfim, fechar as portas. Se a Cinelândia carioca tem esse nome porque no passado, diferentemente de hoje, abrigava várias salas de exibição, a mesma sina parece se impor à região da Avenida Paulista.

Quando vim para Sampa, no longínquo ano de 1991, fiquei orgulhoso por saber que ao longo dos quase três quilômetros de sua principal avenida havia mais cinemas que em Porto Alegre inteira. Desde então, tornei-me habitué de alguns deles. O Belas Artes, o Gemini, o do Conjunto Nacional, que já teve vários nomes – Bombril, Livraria Cultura, não sei mais o quê –, assim como o da Gazeta, hoje Reserva Cultural. Além deles, claro, têm os dos shoppings: os do Pátio Paulista, na ponta do Paraíso, e o Bristol, no Center 3, na ponta da Consolação. Para ficar só na famosa avenida, sem falar dos cinemas da rua Augusta e outros.

Há pouco tempo fechou o Gemini – pela enésima vez – e hoje, o Belas Artes. Ocorre no “centro novo” o mesmo já observado no “centro velho” de São Paulo. Os locais onde antes eram exibidas as preciosidades da sétima arte, agora se destinam ao consumo de bugigangas e aos cultos religiosos. Não dá para negar certo desconforto nostálgico, uma sensação ruim, ao constatar que hábitos caros a muitos da minha geração não mais serão possíveis. Além da frustração por um processo econômico e social que, apesar dos protestos, não é simples de ser contido, muito menos revertido. Aliás, será que deve ser contido e revertido? Há culpados, inimigos a serem combatidos?

A lembrança foi longe e retornei à minha terra natal, Birigui, onde eu ia às matinês do Cine Pérola todos os domingos, rigorosamente. Lembrei-me das filas imensas, virando a esquina, quando passava filme do Mazzaropi. Lembrei-me até de quando assisti “Os Trapalhões no Planeta dos Macacos”, minha primeiríssima ida a uma sala de cinema, morrendo de medo por achar que gorilas sairiam de trás da tela para nos atacar. Mas, terrível mesmo foi ver o prédio que abrigava o Cine Pérola ir abaixo para dar lugar ao estacionamento de um banco. Também me lembrei da luta inglória de alguns cidadãos biriguienses para tombar o prédio que abrigou o primeiro cinema da cidade, o qual não conheci, e que hoje é uma loja de motos.

Pior do que testemunhar a extinção dos cinemas de rua é perceber que não mais haverá um espaço de cultura, entretenimento e sociabilidade criado em seu redor. Acaba-se a caminhada tranqüila pela Avenida Paulista, batendo papo com a namorada ou com amigos, com destino a um boteco próximo para comentários e críticas, ao sabor de cerveja e petisco, sobre o filme que se acabara de assistir. Assim acontece no Rio, em Sampa e até em Birigui.

Os shoppings centers, com seu universo consumista, sua seletividade em prol de “gente bonita” e seus Cinemarks da vida, serão nossa única opção.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"Tropa de elite 2” é o filme mais visto da história do cinema brasileiro

"Tropa de elite 2", de José Padilha, tornou-se o filme mais visto da história do cinema brasileiro, com um total de 10.736.995 espectadores acumulado após nove semanas de exibição. A informação foi divulgada pela assessoria do filme nesta quarta-feira (8) e confirmada pelo instituto Filme B.

O longa ultrapassou o antigo campeão, "Dona Flor e seus dois maridos" (1976), em 1.470 ingressos vendidos. "Dona Flor" foi visto por 10.735.525 de pessoas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Filme "Lula" vai representar o Brasil em disputa por vaga ao Oscar

* Notícia publicada no UOL.com.br



O filme "Lula, o Filho do Brasil", de Fábio Barreto, foi o escolhido nesta quinta-feira por uma comissão de especialistas para representar o Brasil na disputa por uma vaga ao Oscar de melhor estrangeiro em 2011. O longa foi eleito por unanimidade.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"É Proibido Fumar" é destaque no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro



O filme "É Proibido Fumar", da cineasta Anna Muylaert, foi o grande vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, concedido no último dia 9/6, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.

O filme de Muylaert, que já havia vencido o Festival de Brasília, em 2009, superou "Tempos de Paz", recordista de indicações nesta edição, que concorria em 11 categorias.

"É Proibido Fumar" levou os prêmios de melhor filme, direção, trilha sonora, roteiro original e montagem de ficção

"Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", de Calvito Leal, Claudio Manoel e Micael Langer ficou com quatro prêmios Grande Otelo, inclusive o de melhor documentário de longa-metragem.

''Se eu Fosse Você 2'' levou um prêmio de melhor filme na votação popular.
Lilia Cabral recebeu o prêmio de melhor atriz por seu papel em ''O Divã'', superando a então favorita Glória Pires, indicada por dois papeis. 

Tony Ramos confirmou expectativas: venceu o prêmio de melhor ator por ''Se Eu Fosse Você 2'', de Daniel Filho. O ator também estava indicado na categoria por "Tempos de Paz''.
Denise Weinberg foi escolhida melhor atriz coadjuvante, pelo papel de Ruiva em "Salve Geral"; e Chico Diaz, de melhor ator coadjuvante, como camelô em "O Contador de Histórias".